(Foto: Reprodução/Polo Astronômico Cuesta)

Dia Mundial da Astronomia: conheça o Polo Astronômico da Cuesta

Desde criança, o professor Sérgio Marques é apaixonado por astronomia. “Ainda criança, ficava horas de noite, numa rede, observando o céu. A maior parte das perguntas eram respondidas por meu pai, Prof. João Queiroz Marques, um estudioso de Ciências Físicas e Biológicas”, conta ao Jornal Audácia.

Nascido em 1945, Prof. Marques passou sua juventude acompanhando a “corrida espacial”, período marcado por várias demonstrações de tecnologia entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética (URSS), que buscavam demonstrar a superioridade nos voos espaciais. “Essa corrida despertou milhões de jovens, no mundo todo, a olhar mais para o espaço e além dos lançamentos, observar as estrelas”, diz.

Este fascínio pelo tema fez o astrônomo amador fundar, em 2014, o Polo Astronômico da Cuesta “Júnior Torres de Castro”. Sua primeira atividade foi a aquisição de um planetário móvel do tipo inflável, onde seriam projetados filmes e programas sobre o Universo para alunos do ensino fundamental das escolas de Botucatu e toda a região. “No decorrer de mais de 5 anos, conseguimos muitos filmes sobre o Universo, sendo que alguns foram, por nós, traduzidos, adaptados e dublados em português”, conta Marques.

Além do planetário, Marques também participou da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (BRAMON). “Nos anos em que participei, chegou-se a mais de 150 câmeras em todo o país, que voltadas para diferentes direções, gravavam, através de programa próprio, as passagens da Terra pelos detritos de outros corpos celestes, a que chamamos meteoros. Esse foi um dos auges da minha carreira na astronomia”.

Prof. Marques durante exibição no planetário (Foto: Reprodução/Polo Astronômico Cuesta)

Outro momento importante na história do Polo Astronômico da Cuesta foi a localização e procura de meteoritos (fragmentos de meteoros) que caíram na região entre Bofete e Porangaba no dia 9 de janeiro de 2015, mas que foram encontrados apenas nove dias depois. “Um meteorito tem a idade de bilhões de anos e pode ser formado por diferentes materiais. Foi através de estudos com certos meteoritos que se chegou a idade da Terra: 4 bilhões e 500 milhões de anos. Mas existem relatos de meteoritos de mais de 7 bilhões de anos, tomando como exemplo um exemplar que caiu na Austrália e sua análise remete a esse período de tempo”, conta o professor.

Perguntado sobre futuros projetos, Marques diz que “estamos fazendo um estudo, juntamente com o professor Martini e o vereador Lelo Pagani, a pedido do prefeito Pardini, para a instalação de um observatório e planetário na cidade de Botucatu”, conclui.

O nome do polo homenageia o botucatuense Júnior Torres de Castro, idealizador do satélite Dove-OSCAR 17. Seu mérito foi ter construído, com recursos próprios, o primeiro satélite artificial radioamador brasileiro, com fins educacionais e humanitários. Por esse e outros feitos, ele foi um dos poucos brasileiros que teve o nome inserido na galeria dos nomeados para o Prêmio Nobel da Paz. O geofísico veio a falecer em 17 de janeiro de 2018, aos 84 anos.

Os exemplos de Sérgio Marques e Júnior Torres de Castro mostram como a paixão pela astronomia pode gerar bons frutos na sociedade através da educação. “O fascínio da astronomia é que ela engloba diversas disciplinas e faz a mente viajar, quando há uma observação de alguma estrela, esta possa nem existir mais, mesmo a luz viajando a 300.000 quilômetros por segundo”, conclui o professor Marques.

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